06 abril 2017

Resenha + Entrevista com a Autora: Cadu e Mari


Livro: Cadu e Mari
Autor: A.C. Meyer
Editora: Galera Record
Páginas: 280


Sinopse: Mariana trabalha em uma badalada revista de moda. Tem um bom salário, é muito competente... E tem uma queda pelo chefe, daquelas bem poderosas. Eles vivem em mundos completamente diferentes, e Mariana sabe que nunca acontecerá nada entre os dois. Até que Carlos Eduardo repara que sua secretária é muito, muito bonita. O amor entre os dois é arrebatador, e Cadu e Mari sentem que nasceram um para o outro. Mas as coisas logo começam a desandar. Talvez Cadu ainda não esteja preparado para confiar em uma pessoa que teve uma vida tão diferente da sua; talvez Mari ainda não se sinta segura em dividir sua realidade com o chefe. Para viver esse amor, os dois precisarão enfrentar preconceitos e vencer intrigas. Será que estão prontos?




Como todo livro da A.C. Meyer, a leitura de Cadu e Mari fluiu de um jeito, que a cada página era um suspiro diferente. A autora soube trabalhar muito bem todos os capítulos, colocando em cada um, uma música diferente. Na verdade é uma das coisas que mais gosto nos livros da Andreia, a playlist. Mas vamos falar agora sobre minhas impressões do enredo e da narrativa.

O livro é em primeira pessoa (o que eu adoro) e conta a história dessas duas pessoas tão diferentes e tão parecidas ao mesmo tempo. De um lado temos Mariana, secretária, vinda de uma família humilde que mora na zona norte do Rio de Janeiro e que tem uma melhor amiga incrível, Laís ou para vocês, pode ser Lalá. Do outro lado temos Carlos Eduardo, rico, diretor de uma revista de renome, acostumado a sair com modelos e mora na zona sul da cidade.

Mari trabalha como secretária de Cadu há três anos, e tem uma queda por ele, que obviamente ele não sabe. Cadu nunca reparou em sua secretária, que não segue os estereótipos impostos pela sociedade, ela contém curvas, muitas delas e do nada ele parece notá-las.
"Não tenho ideia do que raios está acontecendo comigo, mas é como se um imã estivesse me puxando para ela."
Certa noite, as duas melhores amigas decidem sair para se divertir em um barzinho na zona sul da cidade e durante a noite quem ela menos esperava ver, se materializa atrás de seu corpo, a puxando pra uma dança que sinceramente me deixou com as bochechas quentes e em expectativa. Passando-se dias, Cadu e Mari ficam cada vez mais próximos um do outro, e acabam entrando em uma relação que não é mais apenas chefe/funcionária, e sim em uma relação onde existem beijos/romance. Só que, seu irmão do mal Zeca junto da esposa Lucinha, plantam sementinhas do mal na cabeça de Cadu, dando a entender que Mari pode vir a se aproveitar da situação e ele termina todo o vínculo com ela. Mas imagina só... Mari e Laís vão a uma festa convidadas por Rodrigo, melhor amigo de Cadu e peguete da Lalá no momento, e Cadu a vê conversando com outro cara e pira, não resiste à paixão arrebatadora que grita em seu peito e faz o quê? Façam suas apostas.
"É quase um assalto à mão armada à minha boca com a língua." 
Mari sempre procura ser a menina divertida de sempre, espontânea e segura de si mesma, por mais que muitas pessoas ao seu redor no trabalho à tratem como se ela não se encaixasse naquele mesmo mundo deles, só pelo fato de não ter o corpo "ideal", aquele imposto pela sociedade, de que mulher precisa ter o corpo magro demais pra poder estampar a capa de uma revista, ou até mesmo para chegar ao "nível" de algum dia sair com alguém como Carlos Eduardo, o diretor da revista. Mari esconde todo o bullying que sofre para si mesma, todos os dias sofre com comentários maldosos e olhares indiferentes. Se você já passou por isso ou passa, não se cale. Nunca! Você é perfeita(o) do jeito que é! 

Tudo parece estar em seu devido lugar. O casal não poderia estar mais feliz. Estão com quem amam, praticamente morando juntos, um sempre cuidando do outro. Mas vocês podem imaginar né? Algumas pessoas não estão tão satisfeitas assim com esse relacionamento, por mais que praticamente ninguém saiba. Será que esses dois conseguirão ultrapassar todas as barreiras, principalmente as do preconceito e da inveja ou irão caminhar para lados opostos?

Cadu e Mari traz aprendizados, que jamais deverão ser esquecidos: saber perdoar e que segundas chances são merecidas quando realmente se ama. Além de nos ensinar que não importa se você veste 38 ou 44, o que realmente vale é a sua beleza interior, o seu bem estar e independente de qualquer coisa, estar feliz consigo mesma. Espero que vocês se apaixonem por Cadu e Mari como eu me apaixonei <3
"Prometo te amar todos os dias e todas as noites, para sempre, e nunca mais deixá-la se afastar de mim."

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Qual foi a sua inspiração para escrever o livro Cadu e Mari? E como foi escrevê-lo?

A.C. Meyer: Eu costumo fazer muita pesquisa enquanto escrevo os livros. Locais, músicas, objetos, roupas, personagens... sempre que escrevo, busco influências visuais que me ajudam a compor as histórias. 

Quando eu estava escrevendo Fascinada por você (livro 03 da série After Dark), durante uma dessas pesquisas, me deparei com uma foto na internet. Era uma capa de revista com um homem lindo. Ao ver aquela foto, surgiu a ideia de escrever uma história sobre aquele homem bem-sucedido, bonito, que tivesse como pano de fundo a redação de uma revista de moda e que a mocinha não seguisse os padrões de beleza impostos pela sociedade (e pelos livros)! Foi uma experiência incrível escrever essa história, pois me tirou da zona de conforto ao narrar o amor entre personagens fora do universo After Dark. E muito divertido também.

Você fala sobre bullying no seu novo livro. Como você acha que Mari deveria ter agido com as pessoas que praticaram bullying com ela? Ela deveria ter contado logo que começaram com os comentários maldosos ou ter esperado chegar ao ponto no qual chegou?

A.C. Meyer: Com certeza ela deveria ter contado desde o começo. O Bullying (seja no ambiente corporativo, escolar ou pessoal) é um mal que deve ser cortado pela raiz. Mas, essa situação que a Mari passou, é um reflexo da sociedade em que vivemos e eu compreendo os motivos dela em não ter contado. O medo — de não ser ouvida, de não acreditarem, de ser penalizada — é algo real e que paralisa a vítima. É a mesma situação que alguém que sofre abuso ou assédio passa. A vítima sente medo de se expor e ser penalizada por algo que não é culpa dela, infelizmente.

Seus personagens de Carlos Eduardo e Mariana foram inspirados em alguém especial para você?

 A.C. Meyer: Como falei antes, o Cadu foi inspirado nesse modelo que eu vi a foto. Depois de uma pesquisa, descobri que ele se chama Breno Jr. Ele é modelo, natural de SP, faz trabalhos internacionais e é um super fofo. Já a Mari eu não me inspirei em ninguém em especial. Na verdade, a concepção da Mari foi imaginando a garota comum. Eu queria que as leitoras lessem a história e se identificassem com ela, que se vissem nela e por isso não associei a personagem a qualquer personalidade para que não tivesse esse distanciamento entre personagem e leitor.

Se você fosse a Mari, perdoaria o Cadu depois de ser acusada injustamente de traição na revista Be?

A.C. Meyer: Eu acredito que o amor verdadeiro perdoa, desde que a outra parte realmente mereça o perdão. Apesar de ter sentido meu coração se partir com a Mari e ela ter todo o meu apoio pela injustiça a que foi submetida, eu também entendo o lado do Cadu. Em uma situação tão manipulada quanto aquela, em que ele tinha “provas” contra ela, é realmente difícil para o outro lado não acreditar. Os dois foram vítimas do mau-caratismo, né?

Pra você o que significa segundas chances? E qual a mensagem quis trazer aos seus leitores com o livro?

A.C. Meyer: Eu acredito no poder e importância do perdão, desde que haja arrependimento real de quem errou. Mas acho que só quem passa pela situação é que pode avaliar se o outro lado merece uma segunda chance ou não. No caso do Cadu e da Mari, o arrependimento e sofrimento dele é tão tangível, que ele mereceu uma segunda chance com a Mari (e com o nosso coração de leitora apaixonada hahahaha). 

Com Cadu e Mari, quis passar aos meus leitores a importância de se amar como são. De se valorizarem, independentemente de peso, aparência, classe social, cor, tipo de cabelo... que todos nós merecemos ser amados e respeitados simplesmente por sermos quem somos. A Mari não precisa ser magra e vestir 36 para ser feliz, como ninguém na vida real, e devemos procurar dentro de cada um de nós o auto respeito e a própria valorização. Além disso, o livro trata a questão do bullying e do relacionamento abusivo, que muitas meninas vivenciam, mas nem se dão conta de que estão em um. E, é claro, o que nunca falta nos meus livros, que é a importância do amor nas nossas relações, seja entre os amigos, namorados, família. As relações de hoje em dia são descartáveis e eu gosto de mostrar aos meus leitores que quando a gente ama verdadeiramente é possível encontrar a felicidade ao lado daqueles que nos são importantes, porque é o amor que move o mundo e faz com que a vida fique muito melhor.


2 comentários

  1. Mais um livro pra minha lista, que não para de crescer. Pena que o dinheiro nao aumenta

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    1. Mi hahahaha <3
      Você precisa ler.. eu sempre sou mega suspeita quando se trata de AC Meyer, mas ela nunca me decepciona. E como ela disse, Cadu e Mari é totalmente fora do universo da série After Dark, então vale muito à pena a leitura também. Quando você puder, LEEEIA <3

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